sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Entrevistas - 1

Edemar Annuseck

A partir de janeiro de 2009 o rádio esportivo paulista fica ainda mais forte. E isso se deve à volta do narrador Edemar Annuseck, que assinou com a Rádio Record.

Figura das mais competentes, queridas e respeitadas no meio, Edemar (o popular Alemão) volta após alguns anos no Sul do País. Seu último trabalho se deu em Curitiba.

É claro que pelo seu modo de ser - e pelo tempo em que esteve fora da mídia paulista - poderíamos passar horas num delicioso papo com o locutor. Entretanto, vamos a uma conversa bem resumida, tentando mostrá-lo para quem não o conhece e recordar para quem não o esquece.

O Ampulheta Virtual abre o ícone "Entrevistas" com um papo mostrando um pouco de Edemar, pelo próprio Edemar:
Moura Nápoli - Você acertou com a Record e está de volta ao rádio paulista. Como aconteceu a negociação?
Edemar Annuseck
– A negociação começou no meio do ano. Demorou para se concretizar pois a Record trabalha em cima de orçamento e não foge do seu organograma. Tive vários contatos com Paulo Roberto Martins – Diretor de Esportes da emissora – que foi quem me convidou para trabalhar na Record. No final de Novembro acabamos definindo pela minha ida para a emissora. Vou iniciar em Janeiro ao lado de grandes profissionais do rádio paulista e brasileiro.

MN - Seu auge foi na Jovem Pan, onde atuou 18 anos ou, mais experiente, acredita que está vivendo seu melhor momento atualmente?
EA – Tive em verdade três grandes momentos. O primeiro em 1985 quando assumi o esporte no final de Julho daquele ano com a ida do José Silvério para a Rádio Bandeirantes. O Ibope registrava o futebol da Pan em quarto lugar. Eu nem sabia disso. Na verdade a Pan estava brigada com esse Instituto de Pesquisa há muito tempo. Em Dezembro a Pan apareceu em primeiro lugar no futebol. Com a volta do José Silvério no final de Dezembro para a Jovem Pan eu voltei a ser o segundo. Darcy Reis (falecido) então Diretor de Esportes da Rádio Bandeirantes me convidou para trabalhar na emissora. Não houve acerto financeiro e continuei na Jovem Pan. Em 1988 foi o segundo grande momento com a cobertura dos Jogos Olímpicos de Seul. Ao lado de Orlando Duarte transmiti Basquetebol, Futebol e Voleibol. A Pan deu um show de cobertura. O terceiro vivi em 1990 na Copa do Mundo da Itália pela Rádio Tupi. Cheguei a ser eleito pelos colegas como o melhor locutor de São Paulo no Mundial.

MN - Falando sobre sua carreira, onde e como começou?
EA
– Oficialmente começou em 1964. Mas antes em 1960 e depois em 1962 já dava meus “pitcacos” no rádio em Blumenau como Correspondente e Plantão Esportivo. Correspondente era a denominação dada na época para a cobertura que era feita nos treinos dos clubes. A cidade tinha cinco times no campeonato local. O Amazonas da Empresa Industrial Garcia tinha um representante do bairro como correspondente que fazia os boletins dos treinos das terças e quintas. Eu fazia o mesmo do Guarani EC que era o clube do meu bairro. Em 1964 estava colaborando como Plantão Esportivo na Rádio Nereu Ramos. Certo dia faltou um repórter e eu tomei conta do lugar. Dali para a narração não demorou muito. Com a saída do narrador Ivo Sutter para a Rádio Guanabara do Rio acabei sendo contratado. Fiquei lá até Junho de 1972. Fui contratado pela Rádio Alvorada de Blumenau onde fiquei até Dezembro daquele ano. Desde 1968 eu já trabalhava no Jornal Cidade de Blumenau como responsável pela página esportiva diária. O jornal e a rádio foram comprados por um grupo de empresários e eu contratado paras seguir no jornal e comandar o esporte da rádio. Em Outubro daquele ano fui chamado para fazer testes na Jovem Pan por Willy Gonser que era o chefe de esportes. Transmiti três jogos e acabei sendo contratado.

MN - Quais seus ídolos? Inspirou-se em alguém?
EA
– Quando se inicia na narração esportiva sempre se tem alguém como espelho. Comecei imitando Pedro Luis, Fiori Giglioti e Waldir Amaral. Com o passar dos anos criei meu próprio estilo o que não se vê nos dias de hoje. Hoje como dizia o falecido Chacrinha “Nada se cria, tudo se copia”. No rádio de hoje temos poucos narradores originais. Eu diria que 90% é cópia dos originais. Criar um estilo não é tão fácil assim como parece. Hoje a maioria se inspira em Osmar Santos e José Silvério até na impostação da voz.

MN - Qual seu melhor momento no rádio esportivo?
EA – Na Jovem Pan de 1977 a 1989. Depois na Tupi em 1990, na Rádio Clube Paranaense (1994-1996) fazíamos 70% da audiência em Curitiba. Naqueles anos transmitimos todos os jogos da Seleção Brasileira, dentro e fora do país. A B-2 era, eu disse era, a “Grande rádio do Paraná”, que o Brasil ouvia.

MN - E o pior?
EA
– Pior momento não no microfone, mas pelo que ocorreu em relação ao profissional Edemar Annuseck. Foi em 1977 quando eu era o segundo locutor da Jovem Pan e com a saída de Osmar Santos colocaram José Silvério como titular. O que aconteceu só DEUS sabe.

MN - Você teve experiência em TV. Como foi?
EA
– A Tevê nunca me inspirou. Aprendi que na televisão o narrador “é o complemento da imagem”. Hoje mudou. Tem cara que fala mais que o “homem da cobra”. Eu me sentia limitado na narração e sem ter condições de colocar a vibração que o rádio permite nas transmissões. Mas, valeu como experiência. Ainda em 2006 fiz dois jogos pelo Premiere FC da Sportv do Campeonato Gaúcho.

MN - Já que nosso blog é uma verdadeira Ampulheta Virtual, escale uma equipe de esportes mesclando todos os tempos, com narrador, comentarista, dois repórteres e um plantão.
EA
– É difícil escalar apenas uma equipe. O Brasil é um celeiro de grandes narradores, comentaristas, repórteres e plantões. Destacaria como narradores Pedro Luis, Willy Gonser, Osmar Santos, Joseval Peixoto, Darcy Reis e José Silvério. Comentaristas - Mauro Pinheiro, Mário Moraes, Randal Juliano, Barbosa Filho, Rui Carlos Ostermann e Paulo Roberto Martins que é o “cara” do momento. Repórteres - Cândido Garcia, Fausto Silva, Juarez Soares, Lucas Neto, Geraldo Blota e José Roberto Ercolin. Plantão Esportivo – Narciso Vernizzi, Alexandre Santos, Milton Neves, Domingos Machado e Oldemar Kramer.

MN - Qual o recado que você deixa para seus inúmeros fãs?
EA
– Que tenham um FELIZ NATAL, um ANO NOVO cheio de saúde, paz e amor e que em 2009 sintonizem a RÁDIO RECORD que tem objetivos bem definidos e vem aí com a REDE RECORD DE RÁDIO com aproximadamente 100 emissoras espalhadas pelo país.

O Ampulheta Virtual agradece e deseja à Edemar Annuseck todo o sucesso. E se sucesso é a união do trabalho com a competência, Edemar está realmente fadado ao sucesso, pois além de seu talento e carisma, chega para somar numa equipe da mais alta qualidade, com companheiros de primeira linha.

2 comentários:

Adalberto Day disse...

Nada mais justo o retorno do Edemar ao Rádio brasileiro, e principalmente na Record, essa bela e poderosa emissora.
Nos enche de orgulho em saber que temos de volta um dos maiores expoentes do rádio nascido em Blumenau de volta as origens.
Parabéns a Record pela belissima contratação.
Adalberto Day cientista Social de Blumenau
veja meu blog adalbertoday@blogspot.com

POETA DAS ÁGUAS DOCES disse...

Tenho acompanhado a grande batalha desse consagrado narrador esportivo na retomada da sua exitosa carreira que afinal vem de se fazer justiça no momento em que é retirado do ostracismo a que fora relegado devido a crise na Rádio Clube Paranaense.
Registro aqui meus votos de perene sucesso nesta nova etapa da sua vida profissional.
JASaudações.